Guns, germs and steel Por que algumas civilizações se desenvolveram mais do que outras e, em virtude desse desenvolvimento, conseguiram impor sua dominação sobre as demais? Em outras palavras, o que determinou, no desenrolar histórico, que o espanhol Pizarro viesse às Américas para capturar o líder dos Incas, Ataualpa, e não o contrário? Questionamentos como esses foram feitos por Yali, um morador da Nova Guiné, a Jared Diamond, professor e pesquisador da Universidade da Califórnia – UCLA, e consistiu na premissa de seu livro, ganhador do prêmio Pulitzer de 2008, Armas, Germes e Aço. O livro pretende recompor a caminhada humana a partir de seu nascimento (provavelmente na África ou no crescente fértil), até a ocupação dos demais continentes da Terra – uma trajetória que pressupõe expansões ultramarinas, colonizações, dominação e guerra entre os povos, miscigenação, adaptação e até extinção de tribos e grupos humanos. Fator primordial que permitiu o início de uma diferenciação entre os povos foi a produção de alimentos. Com a vida sedentária e o excesso de comida (calorias), foi possível que membros da tribo pudessem se dedicar a outras atividades que não à caça e à coleta. Surgiram, a partir daí os escribas, os políticos e os inventores. O advento destes, por conseguinte, possibilitou o desenvolvimento da escrita, a maior organização política das sociedades e a criação de artefatos úteis para a vida em sociedade (armas, embarcações, cerâmicas). Tais fatores, por vezes, funcionavam como catalizadores, impulsionando as civilizações que os desenvolveram para mais longe. Por exemplo, o progresso do artesanato eventualmente contribuiu para a confecção de armas mais resistentes e escudos de ferro, fatos que faziam a diferença em uma batalha travada contra povos sem a mesma tecnologia. Além desses, mencionam-se no livro diversos outros fatores que contribuíram para o desenvolvimento desigual entre os povos. No entanto, um dado interessante é que essa desigualdade está mais relacionada ao meio-ambiente e à geografia do que a qualidades intrínsecas de determinados povos. Assim, ao contrário do que se poderia pensar, as civilizações dominantes de hoje não o são em virtude da superioridade de seus membros, mas em função de intrincados elementos que se combinaram ao longo da história. Tal conclusão é interessante para rebater as posturas discriminatórias que põem no centro do mundo a cultura do homem branco ocidental. Uma outra informação interessante e ligada ao mundo jurídico diz respeito ao surgimento do Estado e do próprio Direito. Para Diamond, a construção de complexos aparelhamentos estatais só foi possível a partir da criação de métodos eficazes para a solução de conflitos (direito). Portanto, parcialmente errônea a idéia de que houve a criação do Estado e só então a apropriação dos conflitos particulares por parte do ente estatal. Vale a pena conferir. Postado por Carvalho
Escrito por Gomes, Pegorer & Carvalho às 01h30
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